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matriz2006

matriz2006

12
Jul10

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Transformação

Durante os milênios transcorridos
a opção da guerreira foi fundamental:
eram intensamente os desejos vividos
por um código de ética venal.

Conquistadora incessante de paixão
deixou rastros de dor e de lágrimas,
brandia a espada da sedução
e nem percebia do outro as lástimas.

Quando o fogo do instinto se abrandava
a espada com veemência novamente erguia.
A sua vítima, então enamorado, sem escrupúlos,abandonava,
cortando o laço que porventura existia.

Dentro de si, não se dava conta, crescia
um enorme vazio que não findava.
Acreditava que mais uma paixão seria
o fim de seus tormentos e sua alma assim se asserenava.

Um dia, sem notar de Deus a sabedoria,
em um momento de armas depostas,
um grande amor em seu imo cresceria
e sua força não traria mais respostas.

Seu instinto de guerreira e fera devoradora
se debatia entre as grades do poder e da submissão.
Não admitia o coração cansado e a alma em carência perturbadora,
e por entre agonia e dor afirmava que a fuga era a única solução.

Com o corpo sangrando de luta inglória,
ajoelha-se diante do Criador e ora:
-Suplico, Senhor, receber de Ti a hóstia
da redenção e do amor que o Cristo nos exorta.

A guerreira invadida de luz que emana do Alto,
depõe as armas diante do altar profano da paixão.
A ternura da sensibilidade feminina se faz arauto
da mulher que plenifica de sentimento a alma e o coração.

Ana Maria Pupat

enviado por Fernando Peixoto