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Domingo, 21 de Outubro de 2007

A Justa Medida, sem Grandezas nem Excessos

 

 

Uma grande alma distingue-se por desprezar a grandeza,
e por preferir a justa medida aos excessos,
já que a primeira se limita ao que é útil e indispensável à vida,
enquanto os últimos se tornam nocivos pelo próprio fato de serem supérfluos.

É assim que a fertilidade excessiva prejudica as searas,
os colmos partem-se com o peso e a demasiada abundância
de grão não chega a amadurecer. O mesmo ocorre com
as almas corroídas por um bem estar desmesurado,
do qual usam em prejuízo não só dos outros como de si próprias.

Nenhum inimigo inflingiu a alguém golpes tão duros
como aqueles que certas pessoas sofrem ocasionados
pelos próprios prazeres. Só uma coisa pode desculpar a imoderação,
a louca voluptuosidade de tal gente:
é que sofrem a consequência dos seus atos.

Não é sem razão, aliás, que uma tal loucura
se apodera delas: o desejo de ultrapassar os limites naturais
descamba necessariamente na desmesura.

A necessidade natural tem o seu termo próprio,
enquanto as necessidades artificiais derivadas do prazer
nunca conhecem limitações.

A utilidade serve de medida ao que é indispensável;
mas por que padrão aferir o que é supérfluo?

Por conseguinte, muitos afundam-se em prazeres
sem os quais, uma vez transformados em hábito,
já não podem passar; são estes os mais deploráveis de todos,
pois se deixaram chegar a um ponto tal
em que se lhes tornou indispensável uma coisa
que começou por ser apenas supérflua.

Em vez de os desfrutar, tornam-se escravos do prazer;
e, para cúmulo da desgraça, acabam por amar aquilo mesmo
que os torna desgraçados.

Atinge-se assim o cume da infelicidade:
a degradação torna-se, de prazer, em condição natural;
quando os vícios se transformam em hábito
deixa de ser possível a aplicação de qualquer remédio.

Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

publicado por Marisa às 10:41

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