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matriz2006

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16
Ago06

Festival do Emigrante 2006 - A Missa Campal

Vários meses levou a preparação do Festival. Primeiro a planear como seria, depois a dar forma a esse planeamento. Foi preciso convidar os Ranchos que queríamos que estivessem presentes, ter a sua aceitação, ofícios que vão, ofícios que voltam, mas aos poucos tudo se encaixou. Depois  sonharam com a missa. E a missa foi tomando corpo, um que empurra daqui, outro que ensaia dali, um padre que se tornava difícil arranjar, mas como sempre e já nosso habitual, quando a hora chega, tudo está pronto e nada corre mal. Antes pelo contrário. Corre tudo muito bem.

E mais uma vez, a grande maioria estava presente e entre directores, ensaiadores,componentes, tocata, coro, colaboradores e muitos outros que felizmente estão sempre presentes quando os solicitamos, o Festival do Emigrante da A.C.R.Matriz, mais uma vez foi uma realidade bem presente e dignificou o nosso Bairro e a nossa Cidade.

Aos poucos, porque não é fácil e a época não é das melhores, irei colocando aqui alguns dos momentos mais importantes deste Festival. E hoje, vou começar pela Missa e sua preparação.

Cedo, bem cedo, já muita gente se empenhava para que a Missa fosse um sucesso e enquanto uns carregavam cadeiras, outros ornamentavam o palco para realização da missa, outros carregavam a aparelhagem sonora do salão e tratavam da sua montagem junto ao palco, uma vez que a Câmara não tinha nenhuma aparelhagem disponível para este efeito, outras, que não estão visíveis tratavam de adiantar o almoço na cozinha para cerca de 300 pessoas que tinham de almoçar no fim da missa. E à hora, tudo estava pronto.

Mas era preciso esperar mais um pouco. É que lá para os lados da auto estrada, as nossa freguesias padeciam com um imenso incêndio, que provocou o corte da estrada e o consequente atraso dos ranchos convidados e que queríamos estivessem presentes na missa.

O Côro ia aquecendo a voz e esperavam sentadas as muitas pessoas já presentes e que aguentaram estóicamente apesar do imenso calor que se fazia sentir. Embora tivessem sido colocados vários guarda sóis no recinto, o calor era muito e só mesmo para quem anda por gosto e com amor à Matriz,  aguentar tanto tempo.

Graças à ajuda preciosa dos telemóveis, lá localizamos os Ranchos entalados no trânsito infernal da auto estrada e lá os conseguimos conduzir, uns à saída de Vila do Conde, outros por Amorim e mais uma vez, lá foram os nossos pronto socorro, uns para cada lado, encontrar e conduzir os autocarros até à Associação, para darmos então início á celebração.

A começar vou agradecer a disponibilidade do Padre João Marques, que acedeu prontamente ao convite do nosso Presidente para realizar esta celebração e que aguardou pacientemente a chegada de todos para iniciar a Missa, aos jovens que acolitaram a missa e a todos que de alguma maneira colaboraram. Não quero citar nomes, pois seriam tantos, que podia algum ser esquecido. A todos, sem excepção, BEM HAJAM. Sem vocês, nada seria feito.

Missa que foi linda e como se diz hoje interactiva. Participada por muitos, assistida por todos.

Muitos cantaram,  alguns leram, outros falaram, houve os que tocaram, uns ofereceram, tantos assistiram, todos participamos.

E realizou-se o cortejo de oferendas. E como já várias pessoas me pediram para reler o que eu li no cortejo de oferendas aqui vai ficar tudo aquilo que escrevi, dirigido aos Emigrantes, à Associação da Matriz, ao Rancho Tricanas do Cidral, enfim , a nós, que sem todos nós nada disso faria sentido.

Nós te oferecemos Senhor, o Estandarte que representa a nossa Associação. Este Estandarte é o sonho, o empenho, o trabalho e a dedicação de todos que hoje fazem parte da Associação Cultural e Recreativa da Matriz e de muitos outros que já por aqui passaram. Pedimos-te Senhor, que nos Ilumines o caminho para podermos seguir em paz e em verdade, com amor.

Nós te oferecemos Senhor, a Lira, emblema e símbolo do Cidral desde 1954, que nos acompanha e representa ao longo destes anos, no apertar do lenço de pescoço das senhoras e no emblema de bolso dos homens do Rancho Tricanas do Cidral, e sempre presente nos tronos a S. Pedro e nos arcos das nossa Rusgas. Permiti Senhor que a usemos sempre com dignidade e respeito ás cores que representa.
Nós te oferecemos, Senhor, a última Taça de Disciplina que conquistamos. Ela está aqui em representação das centenas de crianças, de jovens e de menos jovens, que ocupam os seus tempos livres em diversos escalões etários em muitas modalidades desportivas na nossa Associação e Te pedimos que conserves a humildade, que faz com que lutemos pela dignificação do Desporto e dos Atletas, sem pensarmos apenas nos 1ºs lugares,
Faz Senhor, com que os Atletas e Dirigentes desta associação que como humanos que são vibrem e se orgulhem de conseguir os lugares cimeiros mas transmitam, como até hoje, os valores da boa educação, da convivência saudável e da disciplina.
Nós te oferecemos, senhor, estas flores, flores que representam os nossos jovens em crescimento para um futuro que desejamos saudável, a sua e a nossa alegria de viver e fazei com que possamos …
Caminhar ao seu lado ...
Estender sempre a mão ...
Provocar o seu sorriso...
Proferir palavras de optimismo...
Estimular a luta por seus objectivos...
Ouvi-los...
Compreendê-los...
Dar-lhes carinho...
Dar-lhes amor...
E que eles, jovens, aceitem e saibam sempre retribuir.
Nós te oferecemos, Senhor, esta vela que já esteve presente no aniversário dos 75 anos do nosso Rancho Tricanas do Cidral. Permiti, Senhor que a luz cintilante que dela emana e que até hoje nos acompanhou, continue a brilhar e a iluminar o caminho dos directores desta Associação, dos elementos que compõem o seu Rancho e de todos quantos colaboram ou representam a Matriz.
Estes homens e mulheres, elementos do Rancho Tricanas do Cidral e dos ranchos nossos convidados, que se dirigem agora para o altar, trazem apenas uma flor, mas com essa flor, eles oferecem-te, Senhor, a Terra onde vivem e que representam, os seus usos e costumes, as suas tradições. Permiti, Senhor, que eles e seus familiares, continuem a brilhar no seio da família do Pai, para que assim sejam um testemunho vivo para as futuras gerações.
Essa flor que te oferecem, representa também cada um dos nossos emigrantes, o seu trabalho, a sua luta por uma vida melhor. Fazei Senhor, com que vivam felizes na terra onde trabalham e alcancem todos os seus sonhos.
Nós vos oferecemos, Senhor o Pão e o Vinho, frutos da terra e do trabalho humano. Eles contêm a força, a energia, o dinamismo da natureza... e também trazem presente a capacidade humana de produzir, de inventar, de transformar, de saborear, de desfrutar, de conviver...
O Pão e o vinho simbolizam toda a nossa realidade: alegrias e sofrimentos, conquistas e fracassos, abundância e carência, força e fraqueza... Neles estão presentes o clamor de tantos famintos, de desempregados e subempregados, de sem-terra e sem tecto, dos sem saúde, enfim dos que têm sua dignidade e direitos desrespeitados e de todos que lutam por uma sociedade mais justa, mais digna e mais feliz.

Neles estão presentes também sonhos, a esperança de ver realizado o projecto de Deus que é vida abundante e feliz para todos. O empenho diário, os gestos de partilha, de doação, de ajuda mútua, de solidariedade...
A Oração Universal que foi lida foi a da celebração do dia e por mim só foi acrescentado o final que dizia assim:
7. Para que Deus acompanhe e proteja os emigrantes do nosso e de todos os Países do Mundo, os responsáveis pela nossa comunidade e pelas Associações e Ranchos presentes, em especial o Rancho Tricanas do Cidral e a Associação Cultural e Recreativa da Matriz, para que com generosidade e entrega, sendo os primeiros a enfrentar os problemas que a sociedade moderna coloca, estejam dispostos a colocar os seus recursos ao serviço de todos em benefício da paz, da fraternidade e do progresso.
Oremos, irmãos.
 
 
8. Para que Deus acolha na sua glória os fiéis falecidos, que deram o seu prestimoso contributo aos Ranchos presentes, ao Rancho Tricanas do Cidral e á Associação Cultural e Recreativa da Matriz, e pela sua misericórdia, descansem em paz e que os seus familiares, indo além da dor e do sofrimento, consigam ver o amor de Deus e a sua ternura eterna.
Oremos, irmãos.
Mais uma vez vou agradecer a todos que estiveram presentes e tornaram maior e melhor a nossa Missa e fizeram com que achassemos que todo o tempo gasto na sua elaboração e preparação, não foi tempo perdido, mas tempo ganho ao serviço de uma comunidade que queremos ver crescer sempre dentro de ideais saudáveis.
E para finalizar este capítulo - A Missa - aqui fica a oração de graças que elaborei e li em conjunto com o presidente da Associação no final da celebração.
Nela eu tentei passar para todos vós muito do que penso sobre vivenciar dia a dia uma Associação, a Associação Cultural e Recreativa da Matriz, um Rancho - o RanchoTricanas do Cidral, o convívio entre jovens e menos jovens, as relações humanas, a Vida.
Senhor, em Acção de Graças, nós vos entregamos os 20 anos que a Associação Cultural e Recreativa da Matriz já tem e o muito que isso significa. O seu potencial humano, o seu Rancho Tricanas do Cidral, o seu Desporto, as suas Rusgas de S. Pedro, as Festas que aqui se realizaram e realizam, todos os que por aqui passaram e continuam a passar com o objectivo de engrandecer e dignificar o Bairro da Matriz, a Póvoa de Varzim, o País em que vivemos.
Senhor, vamos hoje agradecer os dias menos felizes, em que pensamos em desistir, em deixar de lado o ideal e os sonhos;

As muitas vezes em que ficamos tristes e com o coração amargurado pela injustiça;

Aquelas alturas em que sentimos o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir;

Os momentos menos bons, em que sentimos solidão, mesmo rodeados de pessoas;

As circunstâncias em que falamos, sem sermos ouvidos;

Dias e dias, em que nos empenhamos e lutamos por uma causa perdida;

As ocasiões em que voltamos para casa com a sensação de derrota;

E por todas as alturas em que aquela lágrima teima em cair, justamente na hora em que precisamos parecer fortes;

Quantas vezes pedimos a Deus um pouco de força, um pouco de luz;
E temos de agradecer, Senhor, porque a resposta vem, seja lá como for; um sorriso, um olhar cúmplice, um cartãozinho, uma ajuda, um gesto de simpatia ou de amor; uma solução…

E nós insistimos;
Insistimos em prosseguir, em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser;

E Deus insiste em nos abençoar, em nos mostrar o caminho:

Aquele mais difícil, o mais complicado mas sempre o mais bonito, o que nos dá mais prazer concretizar.

E nós insistimos em seguir, cabeça bem levantada e orgulhosos, por que temos uma missão a cumprir...

SER FELIZES!
 Texto de Marisa Silva