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Sábado, 31 de Março de 2007

Póvoa de Varzim - Usos, Costumes e Tradições

 

PÁSCOA POVEIRA

 

 

Como os poveiros vivem a sua Páscoa

 

 

O SAGRADO E O PROFANO

 

 

 

 

 

Os poveiros, quer os profissionais da pesca quer os que se dedicam a outras actividades, são um povo de arreigada convicção religiosa que se expressa, ao longo do ano, no cumprimento dos preceitos católicos e, de forma muito especial, nas celebrações cíclicas calendarizadas pela nossa tradição judaico-cristã.

Não raras vezes o motivo religioso serve de pretexto para realização de eventos tradicionais de índole popular, alguns deles com remotas raízes pagãs.

A quadra da Páscoa é, talvez, o melhor exemplo dessa dicotomia em que o sagrado e o profano se misturam e confundem numa variada riqueza de acontecimentos que marcam a vida poveira, muito embora muitas das tradições tenham vindo a diluir-se e a perder-se na penumbra do tempo.
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Este período é assinalado na Póvoa de Varzim de duas formas distintas: solene celebração da Paixão de Cristo e, aliviado que seja o luto religioso, fruição festiva do período pascal.

A Quaresma – do Latim quadragésima - é, para os Católicos, um período de privação e penitência que se inicia na Quarta-Feira de cinzas e vai até à quarta-feira da semana da Páscoa, o que perfaz um total de quarenta dias.
Os três dias que se seguem até ao Sábado de Aleluia, são designados por Tríodo Pascal: Paixão, Sepultura e Ressurreição, sendo que a comemoração da Última Ceia do Senhor, na Quinta-Feira, é a introdução ao Tríodo.
O Tríodo Pascal dá lugar, na Póvoa, a sumptuosas e solenes cerimónias religiosas, seguidas com extrema devoção

Se registarmos de forma cronológica como vivem os poveiros este período, teremos:

QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Na Quarta-Feira de Cinzas tem lugar na Igreja Matriz uma cerimónia litúrgica durante a qual os sacerdotes fazem uma cruz na testa dos fieis com o dedo polegar da sua mão direita impregnado de cinzas que resultaram da queima de ramos benzidos e guardados da Quaresma do ano anterior ( Ver adiante “ Bênção dos Ramos ” )
A cerimónia destina-se a lembrar aos fieis a precariedade da vida terrena, em que o corpo se transformará em pó e cinza

PROCISSÃO DAS LANTERNAS
Esta procissão, destina-se a trasladar a imagem do Senhor dos Passos do seu altar na
Igreja da Misericórdia para a Igreja Matriz, de onde sairá no dia seguinte na Procissão dos Passos. Caracteriza-se pelas lanternas que nela se incorporam, normalmente levadas por crianças. Umas, de origem industrial, são simples copos de papel estampado com motivos alusivos à quadra. Mas muitas outras são feitas nas escolas ou em casa, com cartão ou cartolina em que se recortam curiosos arabescos depois tapados por papel celofane de cores várias. Algumas, mais elaboradas, pretendem ser miniaturas de edifícios públicos ou religiosos,barcos, peixes, flores, etc.num prodígio de imaginação e habilidade artesanal.
Iluminadas por velas de estearina ou de cera colocadas no seu interior, as lanternas, com os seus recortes transparentes, resultam num colorido e feérico efeito no escuro da noite.

PROCISSÃO DOS PASSOS
Cortejo que tem lugar no penúltimo Domingo antes da Páscoa.
Sai da Igreja Matriz com dois andores: um com a imagem de Nossa Senhora Mãe de Jesus, e o outro com a imagem do Senhor dos Passos, impressionante no seu simbolismo de Jesus vergado sob o peso da Cruz.
O cortejo, logo no adro da igreja, divide-se em dois. Seguindo percursos diferentes, os dois andores acabam por encontrar-se, tradicionalmente no Largo do Cruzeiro, numa evocação do encontro da Maria com Jesus a caminho do Calvário. Daí que esta cerimónia seja também conhecida por Procissão do Encontro.
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BENÇÃO DOS RAMOS
Oito dias antes do Domingo de Páscoa realiza-se esta cerimónia litúrgica no seguimento duma tradição de raízes muito antigas.
Pensa-se que tenha origem na “Festa dos Tabernáculos”, solenidade em que os antigos judeus evocavam o seu acampamento no deserto depois da saída do Egipto.
Esta cerimónia tem lugar na Igreja da Misericórdia onde, no decorrer da missa, são benzidos ramos de palmeira, de azinheira ou de oliveira numa liturgia denominada “Bênção dos Ramos”.
O acto é, então, interrompido ali, e os ramos, já benzidos, são levados por “anjinhos” em cortejo até à Igreja Matriz, onde prossegue a celebração da missa.
É comum muitas crianças visitarem neste dia o padrinho ou madrinha a quem oferecem um ramo benzido, na intenção de lembrar que no Domingo seguinte - Domingo de Páscoa -, lhes farão nova visita, então para receber a rosca que, por tradição, lhes é devida.
(ver adiante “Rosca da Páscoa”)

PASSEIO DOS BOIS DA PÁSCOA
O “Passeio dos bois da Páscoa” cumpria uma tradição cuja origem se desconhece e que nas últimas décadas foi caindo em desuso.
Realizava-se na Quinta-Feira Santa e tinha por fim mostrar as corpulentas rezes destinadas a abate para consumo na quadra da Páscoa.
O gado carregava vistosas cangas em madeira lavrada ou pintada e era enfeitado com garridos ramos de flores e arreados com típicos chocalhos que produziam o seu característico e festivo tilintar.
Raparigas escolhidas pelo seu garbo e beleza, vestiam lindos trajes regionais em que sobressaiam arrecadas e grossos cordões de ouro com corações de filigrana e amuletos, o que emprestava cor e vida ao desfile, transformando o Passeio dos Bois num interessante e colorido cortejo etnográfico.
A “chamadeira”, de fueiro em riste, seguia na frente, e tinha a seu lado o “marchante”, proprietário do gado, com o seu melhor fato, e cajado na mão.
As moças de soga conduziam o gado e os tangedores espicaçavam-no para lhe estimular o andar.
O luzido cortejo percorria assim as ruas da Póvoa perante o olhar interessado da multidão entre a qual se encontravam criadores e marchantes de toda a região.
De quando em quando o cortejo parava para que os marchantes oferecessem às suas comitivas refrescante vinho em canecas de barro, assim prosseguindo até à Praça do Almada.
Ali, frente ao edifício da Câmara, em tribuna construída para o efeito, esperavam-no as autoridades mais representativas do Concelho que assistiam à passagem das rezes e classificavam as melhores, atribuindo prémios e medalhas comemorativas aos respectivos proprietários e às “chamadeiras”.

OFÍCIOS DAS TREVAS
Os ofícios das Trevas têm lugar na Igreja Matriz e destinam-se a relevar o drama da morte de Jesus. No decorrer das cerimónias assistia-se antigamente a um acontecimento marginal que, com o tempo, acabou por ser evitado. Naquela época a Igreja apinhava-se de gente da classe piscatória, principalmente mulheres de todas as idades.

“No átrio e na porta principal, o Tio Celestino, com uma pequena vergasta, regulava a entrada dos rapazes, munidos de maços, martelos e martelões, para na altura própria, batendo no soalho da Igreja, anunciarem as Trevas do Senhor. Eram dispostos numa longa fila, virados uns para os outros.
Com a cerimónia prestes do fim, apagada a última vela duma longa fiada do grande tocheiro, o padre, no ambão, batendo com o livro, dava o sinal convencional para o início das Trevas.
Ao mesmo tempo todas as luzes se apagavam. Nessa altura, aproveitando a ocasião, a garotada irreverente, virava-se para o lado dos altares e, tirando pregos dos bolsos, pregava as saias de roda das crentes pescadeiras que, recolhidas na oração e no meio daquela infernal barulheira, nem davam por isso.
Luzes acesas, rapaziada na rua. O pior vinha depois. Terminado o piedoso acto, quando as mulheres se levantavam enroladas nas suas saias pretas, podia ver-se nas devotas mais impetuosas alguns saiotes de flanela de cor berrante na primeira linha, já que de saias não se via mais que grandes rasgões. Esta brincadeira, em parte inofensiva, que a solenidade perdoava, provocava naturalmente a ira feminina contra o ‘ inocente ’ rapazio da sua classe.

In “PÓVOA DE VARZIM - A Terra e o Mar” Ed.1976 - José Azevedo.

“Ambão” é a “Mesa da Palavra” - também assim chamado - , por ser dali que o padre, junto do altar, fala aos fieis.

VISITA ÀS IGREJAS
Nessa quadra de rigoroso luto religioso os templos da Póvoa encontram-se decorados com solene e austero requinte, de acordo com as características e possibilidades do bairro a que cada um pertence. Arranjos de flores, motivos alusivos à Paixão de Cristo e encenações ao vivo representando quadros bíblicos, são motivo de muito interesse para os inúmeros visitantes que nessa noite peregrinam devotadamente pelas nove igrejas da cidade.
Nessa noite tem lugar, também, a cerimónia do “Lava-pés”: em cada uma das três igrejas paroquiais – Matriz, São José e Lapa - o Pároco “lava os pés” de outros clérigos, a exemplo de idêntico acto em que Jesus, antes da Última Ceia fez o mesmo aos seus discípulos.
Há quem use fazer na noite dessa Quinta-Feira, uma ceia semelhante à do Natal numa evocação da Última Ceia do Senhor.

PROCISSÃO DO ENTERRO DO SENHOR
Esta Procissão, também chamada Procissão do Senhor Morto constitui impressionante demonstração de respeitosa religiosidade que marca pela sua solenidade e simbolismo.
O cortejo decorre num ambiente pesado e solene: os fatos de carregado luto dos seus personagens, as cores dominantes – o preto e o roxo –, as alfaias e paramentos utilizados, o tom fúnebre das peças executadas pela banda que encerra a procissão, envolvem tudo e todos, quem participa e quem assiste, num ar de comovida tristeza, de profundo e contagiante pesar que nos toca e acabrunha.
A meio do percurso, junto à capela de São Tiago, é cantado o ” Miserere ” - tradicionalmente a cargo dum grupo coral designado por “Capela Marta” em homenagem ao seu fundador, Alberto Marta. O cortejo prossegue depois, sempre debaixo do maior silêncio. Os farricocos, com os seus hábitos negros de capuz a cobrir a cara, os fogaréus com a sua mancha incandescente a destacar-se na escuridão da noite, o ruído soturno das matracas, que o povo designa também por cabarnelas, os irmãos da Misericórdia embiocados nos seus balandraus negros, as lanternas de prata com a sua luz bruxuleante e o bater compassado das suas varas no chão ao ritmo do andar vagaroso e solene, tudo contribui para tornar este cortejo no mais aguardado e admirado da Semana Santa,

SERRA-ESSA-VELHA
Costume galhofeiro este em que, grupos de jovens percorriam o seu bairro levando uma “carrela” – espécie de pequeno e rudimentar andor - sobre qual transportavam um companheiro mascarado. Visitavam velhinhas suas conhecidas às quais o mascarado acompanhando com um reco-reco - também chamado réla – (1) entoava jocosas quadras alusivas a cada visitada enquanto os outros elementos acompanhavam com rudimentares instrumentos: ferrinhos, castanholas, pinhas e até panelas e tachos.

Serra-essa-velha
Em cima dumas pinhas
Quem vai a serrar
É a Tia Aninhas

Era uma jocosa farsa numa manifestação amiga a lembrar que a visada, pela sua idade, merecia já que os filhos a apoiassem para deixar de trabalhar, facultando-lhe os meios necessários para ter comodidade e boa mesa.

Ainda praticado há poucas dezenas de anos, este curioso costume quase não existe.

(1) Réco-réco ou réla é um um singelo instrumento de precursão, constituído por um comprido e estreito rectângulo de madeira em que um dos seus lados mais longos é serrilhado ao jeito de serrote. Por essa serrilha o tocador passa, vigorosamente, um pedaço de pau ou de cana, o que produz um som semelhante ao causado pela onomatopaica pronúncia do próprio nome do instrumento: “réco-réco”

PASSEIO ANUNCIADOR
Sábado de Aleluia, véspera do Domingo de Páscoa.
“Aleluia” é um cântico de alegria ou de acção de graças que do judaísmo passou para a liturgia cristã. Actualmente é expressão típica da alegria pascal que se manifesta pela Ressurreição de Jesus anunciada com o festivo repicar dos sinos.
Os rapazes poveiros participavam nessa alegria concentrando-se em grande número no adro da Matriz, munidos de campainhas. Quando os sinos começavam a tocar anunciando a Boa Nova, os rapazes partiam disparados fazendo ouvir freneticamente as suas campainhas pelas ruas da Póvoa. Outros que se iam juntado nesta corrida mas não tinham campainha iam gritando “ Aleluía, Aleluía ” Era uma grande animação por toda a vila, desde a Lapa até ao Ramalhão, de Belém até São José.
Com a alteração para a meia-noite, esta tradição acabou por se perder.

QUEIMA DO JUDAS E LEITURA DO SEU TESTAMENTO
Esta brincadeira, pretensamente punitiva, baseia-se na aversão causada pela traição de Judas aqui representado por um boneco tipo espantalho, com recheio de palha entre a qual está metida uma sortida quantidade de “bombas”.
A figura, destinada a ser imolada pelo fogo, é levada em cortejo que percorre as ruas próximas do local onde vai ter lugar a pena.
Cada bairro organiza a sua “Queima do Judas” de acordo com as possibilidades e imaginação de quem organiza.
Nas encenações mais elaboradas há archotes que iluminam na escuridão da noite, personagens com balandraus, os raque-raque convidando à participação do povo, o juiz de paz, as testemunhas de acusação, o sacristão com a sua opa, o carrasco e o testamenteiro. Vestuário e cabeleiras apropriadas.
Chegado o cortejo ao local próprio, o Juiz expõe o seu libelo acusatório, interrompido por vezes por elementos da assistência que, com os seus ditos espirituosos, apoiam ou desaprovam determinados pormenores do julgamento.
O certo é que o réu acaba invariavelmente por ser condenado.
À meia-noite é executada a pena, não sem que por vezes o Iscariote tente resistir ao fogo ou porque o vento atrapalha tudo, ou porque as bombas metidas no meio da palha demoram a explodir. Tudo por entre o maior chinfrim, com alegres risadas e jocosos chistes do público presente.
É uma galhofa pegada.

Na semana da Páscoa era tornado público o “Testamento do Judas”.
Tratava-se dum “documento” constituído por uma série de quadras “de pé quebrado”, em que eram “contempladas” pessoas geralmente conhecidas e que de forma mais ou menos explicita eram referidas pelos seus gostos e preferências.

Ao amigo Zeca Lima
Que vive triste e sozinho
Deixo-lhe a minha prima
P’ra lhe dar muito carinho

Esta e outras quadras do género, de intenção mais ou menos maliciosa, faziam com que o Testamento fosse apreciado pelo seu sentido de humor que não ofendia ninguém..

Não há muitos anos o Testamento do Judas era editado e “anunciado” por uma figura muito característica pelo trajar estapafúrdio que usava nessa função, com boné engalanado, garrida manta pelas costas e sineta na mão. Era o Ângelo Baptista que durante o ano vivia de sete ofícios e havia herdado já do seu pai, a “incumbência” do Testamento.

DOMINGO DE PÁSCOA
Do hebreu Peseach, Páscoa significa ressurreição, vida nova, simboliza também a passagem da escravidão para a liberdade. É a maior festa do cristianismo, que comemora a ressurreição de Jesus Cristo.

VISITA DA CRUZ - COMPASSO
Celebrada a Missa da Ressurreição o pároco de cada igreja, auxiliado pelos seus acólitos usando opas com as cores paroquiais, visitam os fieis nas suas casas num pequeno cortejo em que se integra o Crucifixo e se faz anunciar pelo toque duma sineta. É o Compasso. As casas que pretendam a visita do Compasso são assinaladas à entrada com folhas de hera e flores. O padre entra e dá a beijar o Crucifixo à pessoas que respeitosamente e com devoção o aguardam de joelhos.
Por escassez de elementos do clero para formar os inúmeros “Compassos” que se formam, o padre faz-se, em muitos casos, representar por um leigo, a quem conferiu essa incumbência.

ROSCA DA PÁSCOA
O folar com que os padrinhos presenteiam tradicionalmente os seus afilhados na época da Páscoa é, na Póvoa, constituído por uma rosca de pão de trigo. Diz-se que este costume se enraizou entre nós pela interpretação aqui dada às iniciai S.P.R.R., divisa da antiga Roma “senatus populusque romanus” , inscrita no pendão que segue na frente da Procissão do Senhor dos Passos e a que os poveiros, na sua simplicidade, atribuem o original significado
de S = Senhor P = Padrinho Q = Quero R = Rosca.
No Domingo de Páscoa, os afilhados e afilhadas visitam os respectivos padrinhos, oferecendo estes, a cada um, uma rosca de pão de trigo cujo tamanho varia conforme as posses e a vontade do dador. Normalmente as roscas, confeccionadas para o efeito, são adornadas com pequenas aplicações feitas com a mesma massa e apresentam formas variadas.
Algumas padrinhos, de maiores posses, oferecem roscas de pão de ló.
Vê-se então nas ruas os afilhados com as suas roscas enfiadas a tiracolo no cumprimento duma tradição que, como tantas outras, tende a desaparecer.

Muitas crianças na Póvoa, por devoção dos pais, têm por padrinho ou madrinha um Santo ou Nossa Senhora. Neste caso, é costume poveiro que os pais depositem antecipadamente no altar do Santo ou da Senhora, a rosca da Páscoa destinada ao “afilhado”, com um papel onde escrevem “Para o meu afilhado ….(nome) “ Mais tarde, os pais levam a criança à igreja para levantar e agradecer o “folar” ao padrinho ou madrinha.

O JOGO DA PELA
É um jogo popular tipicamente poveiro, apenas praticado aqui e entre os elementos das comunidades de poveiros a viver fora do País.
É disputado por dois grupos formados por homens, mulheres e crianças, cada um com igual número indeterminado de elementos.
Há um banco deitado na rua e que para o efeito se chama “cachola”
Uma bola, normalmente de borracha, é usada no jogo.
Os elementos de um dos grupos situam-se a uma certa distância da cachola e de frente para ela, procurando cobrir a maior área possível. Isto porque, cada um dos elementos do grupo rival, revezando-se sucessivamente, procuram arremessar a bola por meio de um forte murro de forma a ir pelo ar e cair o mais longe possível da cachola. Se a bola for apanhada ainda no ar (sem ter, portanto, tocado no chão) o elemento que fez o arremesso dá lugar a um seu companheiro que o substitui nessa função. Mas se a bola chegar a cair, então, do lugar onde caiu, a bola é atirada a rolar pelo chão, de forma a ir bater na “cachola”. Se efectivamente bate, quem a tinha arremessado pelo ar perde a vez e é substituído por outro companheiro.
Se a bola erra a cachola, continua o mesmo elemento a fazer o arremesso.
Cada vez que a bola acerta na cachola são marcados pontos a favor do grupo a que pertence quem acertou. Para isso são escolhidos os que têm melhor pontaria.
Depois de todos os elementos do grupo que lança a bola pelo ar terem jogado, trocam-se os campos, ficando a vigorar os pontos acumulados até ali. E assim se vão alternando os dois grupos numa posição ou noutra, até que um deles alcance um determinado número de pontos.
O decorrer do jogo dá origem a troca de argumentos, muitas das vezes sem motivo, apenas parar “armar a confusão” e tornar o jogo mais “vivo” e hilariante.
Este jogo é praticado somente na Domingo de Páscoa e no dia seguinte, segunda-feira, dia este em que na Póvoa ninguém trabalha.

SEGUNDA FEIRA DE PÁSCOA - A FESTA DO ANJO
Passado o rigor quaresmal, após a tristeza e o luto da Semana Santa, anunciada, enfim, a boa nova da Ressurreição de Cristo, as gentes poveiras manifestam de várias formas a sua alegria. Foi referida já a tradição da Rosca da Páscoa, a Serra-essa-velha, o Aleluia anunciado pelo toque de campainhas na correria dos rapazes pelas ruas da vila, a Queima do Judas e Leitura do seu testamento, e o jogo da pela.
Acontecimento marcante na celebração da Páscoa poveira é “Segunda-feira no Anjo”.
“Anjo” é a designação dum lugar na freguesia de Argivai, logo à saída da Póvoa, no lado oposto ao mar.
O sítio é caracterizado pelas suas aprazíveis bouças, propícias para piqueniques.
A segunda-feira depois da Páscoa é um imenso piquenique, pretexto para larga folgança da nossa gente.

O almoço nesse dia tem que ser rápido e frugal, porque logo ao princípio da tarde é a marcha generalizada para o Anjo onde, aí sim, pelo meio da tarde, vai de abrir o farnel, bem fornecido de cabrito, frango, chouriço ou presunto, cambitos ou filetes de raia, tudo regado por abundante vinho verde, que aqui por estas bandas não se bebe outro.

É uma romaria sem orago e sem foguetes. Há um clima generalizado de cordialidade e recíprocas ofertas de comida, um trocar de chistes e ditos, de risos e de abraços.
Depois são as danças e cantares poveiros, que nisso a Póvoa não pede meças a ninguém.
Estreitam-se conhecimentos, fazem-se novas amizades e muitas vezes os jovens iniciam ali promissor namoro.

Há quem prefira, para o efeito, o pinhal de Ofir, também muito aprazível, junto a Fão, na margem do rio Cavado e perto da sua foz.

Embora este costume, que vem de longe, tenda a diminuir, ainda são muitas as famílias que terminam assim a sua Páscoa.

Posted by carlosferreira14 at abril 1, 2005 07:00 AM

www.garatujando.blogs.sapo.pt

publicado por Marisa às 00:07

link do post | comentar | favorito
1 comentário:
De remando a 23 de Setembro de 2007 às 19:07
Este artigo foi escrito por mim, conforme vem afirmado no final da transcrição.
Agradeço a divulgação neste blog, mas foi pena não ter feito menção ao meu blog onde o artigo veio publicado : o GARATUJANDO www.garatujando.blogs.sapo.pt
Abraço amigo
Carlos Ferreira

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